O curso acaba. A caminhada continua.

Em 2026, 108 pessoas entraram nos cursos de capacitação da SP Invisível e 72 se formaram. Um caminho marcado por recomeços possíveis.
Teve beca, aplauso e foto para guardar. Teve gente que segurou o choro e também quem não conseguiu. Por um dia, a sala de aula foi o lugar onde as histórias de pessoas em vulnerabilidade extrema deixaram de passar despercebidas. A formatura passou, o curso acabou. Mas, o que ela representa, não.
É preciso olhar para as pessoas que se formam em nossos cursos de capacitação e entender o que existe por trás de um diploma.
Antes do diploma, a triagem
Nenhuma vaga em sala de aula é o primeiro passo. É o último de um trabalho bem mais longo.
De acordo com nossa equipe de assistência social, a margem de triagem precisa ser, no mínimo, o dobro do número de vagas esperadas para o curso. Não por excesso de zelo, mas porque o maior desafio é combater a evasão nas turmas, e manter as pessoas nelas até o fim.
Em 2026, entre janeiro e agosto, 146 pessoas passaram pela triagem. 108 foram matriculadas. 72 se formaram até agora.
Isso representa 66,7% de conclusão. Do outro lado da conta, 33,3%, ou 36 pessoas, não chegaram até o fim.
O que faz alguém desistir a um passo da formatura
Um padrão chama atenção: as datas de pagamento de benefícios sociais no calendário coincidem com os períodos de maior evasão dos cursos.
Tem também o entrave do período de experiência. Assim que alguém é contratado, perde automaticamente qualquer benefício social. É esse o receio de muitos homens que, por exemplo, pagam pensão e não podem se dar ao luxo de um mês de incerteza. A insegurança financeira é maior do que a vontade de recomeçar.
Formar-se, nesse contexto, não é só sobre aprender uma habilidade. É sobre atravessar um período verdadeiramente desafiador, em que ninguém garante nada.
Depois da formatura, a vida real

O dado mais recente, de agosto, mostra 7 dos nossos formandos já empregados. Outros seguem aprimorando o que aprenderam no trabalho informal, o caminho possível enquanto o formal não chega.
Não é o fim da história. É a continuação dela, agora com mais uma ferramenta na mão.
Uma formatura é uma vitória, sempre a de quem venceu a fila da triagem, o cansaço da rotina e um sistema que, muitas vezes, castiga quem tenta sair do lugar.
Mas a cerimônia acabou. O trabalho de escuta, triagem e reinserção, esse continua todos os dias, com toda a nossa equipe.
Apoie a SP Invisível e ajude mais pessoas a superarem esse desafio.
PIX: doe@spinvisivel.org