PSPI: o partido que não existe, pela causa que não pode esperar

Todo ano de eleição, os mesmos temas ocupam os planos de governo. Emprego. Moradia. Segurança. Saúde. E, quase sempre, o mesmo silêncio sobre uma pauta, a nossa pauta: A população em situação de rua.
Por isso resolvemos criar um partido.
Não existe urna que o eleja. Não existe registro no TSE. Mas o PSPI — Partido Invisível representa uma candidatura muito real: a de milhares de pessoas que vivem nas ruas de São Paulo e continuam fora da pauta política. A provocação pode parecer lúdica, mas a questão é bastante séria.
Um partido fictício, uma lacuna real
A ideia é simples e desconfortável ao mesmo tempo.
Se existisse um partido que colocasse a população em situação de rua no centro do programa de governo, quantos votos ele receberia? E, mais importante: quantos planos de governo hoje fariam por essa população, o que prometem fazer por outras pautas?
Analisamos 12 planos de governo apresentados para 2026. O resultado não surpreende quem trabalha nas ruas todos os dias, mas ainda assim impressiona.
Apenas 4 desses 12 planos citam explicitamente a população em situação de rua.
E, entre eles, só 1 apresenta uma proposta completa: política específica, instrumentos concretos, integração entre áreas e indicador para acompanhar resultados.
Um em doze.
O que sobra quando o tema não vira prioridade
Moradia aparece em 11 dos 12 planos. Emprego, nos 12. Os temas que rodeiam a situação de rua estão lá, espalhados por todo o programa de governo.
Falta transformar essas pessoas em público explícito, com política própria, serviços integrados e metas que possam ser cobradas depois da eleição.
Sem isso, a situação de rua continua sendo tratada como consequência de outros problemas, e não como uma pauta que merece resposta direta, e urgente.
O programa do PSPI já existe. E já funciona.
O Partido Invisível não tem cargo nem gabinete. Mas tem território, equipe e resultado.
Enquanto planos de governo debatem propostas, a SP Invisível já executa política pública de fato nas ruas de São Paulo, por meio de frentes como Fome Invisível, levando alimentação e acolhimento; Ducha Invisível, oferecendo higiene e roupas limpas; Escola Invisível, com capacitação e reinserção no mercado de trabalho; e mutirões com escuta ativa e distribuição de itens essenciais.
Não é um mandato, mas é um compromisso que se renova todos os dias, em todas as estações do ano. É um papel que a SP Invisível infelizmente precisa assumir: O de enxergar quem é invisibilizado.
Vote com a sua atenção. Vote com o seu apoio.

O PSPI não vai disputar eleição. Mas pode disputar espaço na sua atenção, na sua conversa, na sua cobrança por planos de governo mais completos.
Enquanto isso não muda nas urnas, o trabalho de quem está na rua não pode esperar.
Apoie a SP Invisível e ajude a colocar no centro do debate quem os planos de governo ainda deixam à margem.
PIX: doe@spinvisivel.org