Quantas pessoas morreram de Covid-19 nas ruas?

Segundo matéria da CNN, houve 44 mortes de pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo, devido à pandemia


Desde o início da pandemia, pelo menos 44 pessoas em situação de rua morreram pelo novo coronavírus na cidade de São Paulo. Os dados foram enviados pela Secretaria Municipal de Saúde a pedido da CNN e registrados desde o início da pandemia até abril de 2021.


O último censo divulgado pela Prefeitura, referente ao ano de 2019, contabiliza 24.344 pessoas em situação de rua na capital paulista.


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De acordo com documentos internos da Coordenadoria de Atenção Básica da gestão municipal, aos quais a reportagem teve acesso, 13.853 doses da vacina foram aplicadas neste grupo prioritário até o dia 3 de maio, totalizando 10.121 primeiras aplicações e 3.732 pessoas completamente imunizadas.


A reportagem questionou a prefeitura sobre o sistema de monitoramento utilizado para garantir a aplicação da segunda dose nesta população, mas não obteve resposta.


Pessoas em situação de rua com mais de 60 anos podem receber a vacina contra o coronavírus desde o dia 12 de fevereiro deste ano, e aquelas cadastradas nos centros de acolhida, com mais de 18 anos, desde o dia 29 de março.


Segundo a Prefeitura, os cidadãos que não podem arcar com as despesas do funeral têm direito à gratuidade do sepultamento e outros procedimentos necessários. Os mortos em situação de rua podem ser sepultados como social gratuito, quando acompanhado por um familiar, ou social desconhecido. Caso a morte aconteça nas dependências de serviços de acolhimento social, a administração do local pode solicitar ao Serviço Funerário do município a gratuidade do processo.


Em entrevista à CNN, o Padre Júlio Lancellotti, que é referência no acolhimento de pessoas em situação de rua na capital paulista, afirma que ainda é difícil explicar o impacto da pandemia sobre esta parcela da população. Segundo ele, a perspectiva era de que a doença iria impactar de forma mais intensa a saúde dos desabrigados, devido à falta de acesso a equipamentos e, até mesmo, itens básicos de proteção.


No entanto, Lancellotti conta que, desde o início da pandemia, só conheceu uma pessoa em situação de rua que morreu pelo novo vírus, uma mulher com diversas comorbidades.


"Os que estão na rua sentiram mais fortemente o impacto em termos de diminuição das doações e da circulação de pessoas. Pode ocorrer uma subnotificação, da mesma forma que com o restante da população, mas a gente não consegue medir porque a população de rua ainda não é devidamente estudada para entendermos o que está acontecendo com ela".


"Os que estão na rua sentiram mais fortemente o impacto em termos de diminuição das doações e da circulação de pessoas", diz Padre Júlio Lancelotti


O infectologista Álvaro da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), diz que a maior dificuldade em monitorar dados referentes a pessoas em situação de rua é a baixa procura e o baixo acesso aos serviços de saúde. Para ele, a pouca adesão aos tratamentos por parte da população que vive em áreas abertas gera estimativas subestimadas quanto aos casos e mortes.


O padre Júlio observa ainda que muitas das recomendações feitas pelos grandes órgãos de saúde são praticamente impraticáveis para os que vivem nas ruas. "Fique em casa. Qual é a casa? Lave as mãos. Onde, se eles não têm acesso à água potável? Use álcool em gel. Aonde eles conseguem? Isso tudo tem que ser fornecido", diz.


Matéria transcrita do site da CNN, por José Britto e Mariana Catacci.

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