Vereador de Uberlândia faz pronunciamento que incita a aporofobia

Antônio Augusto, vereador de Uberlândia, apresenta em uma sessão da câmara de vereadores da cidade, uma fala infeliz e preconceituosa a respeito de pessoas periféricas e em situação de rua.


Reprodução: Padre Julio Lancellotti


Em um vídeo divulgado nas redes sociais do padre Julio Lancellotti no dia 14 de abril, é mostrado o pronunciamento de Antônio Augusto, vereador de Uberlândia – MG, que apresenta em seu discurso um tom pejorativo e preconceituoso em relação a presença de população periférica e em situação de rua em uma praça localizada na região central de Uberlândia. Segundo ele: “Os bancos que estão na praça da Bicota (região central de Uberlândia, MG), são a principal razão das aglomerações feitas ali. Nessa praça, tem gente de todos os bairros da cidade. Podem perceber que as pessoas que aglomeram nos bancos da Bicota no período noturno não são pessoas do centro, mas sim pessoas que vem de bairros periféricos para usar drogas e substâncias psicotrópicas. Esse problema está sendo atribuído aos bares. Não são os bares que são responsáveis por fazer essas pessoas ficarem ali sentadas. Temos que ouvir quem tem propriedade para falar do problema que vivencia no dia a dia (provavelmente proprietários e funcionários dos bares). Talvez se aqueles bancos forem retirados, haverá uma grande diminuição da aglomeração de indigentes e de pessoas que estão passando por ali.” O vereador propõe uma solução simplista e higienista que não visa resolver nenhum problema, mas sim, afastar pessoas indesejadas da região central da cidade. Esse tipo de fala reforça estereótipos e o incômodo da sociedade em se deparar com a realidade. É possível inferir que, além da aversão à pobreza, Antônio Augusto também deprecia a população em situação de rua, uma vez que é comum que esse grupo ocupe praças e use bancos e demais alternativas para se acomodar em meio a hostilidade urbana. Sabemos das complexidades das questões sociais e que não é possível resolvê-las rapidamente já que estão enraizadas em uma estrutura socioeconômica. Porém, é evidente que mascarar a situação através do descaso e segregação social não nos fará chegar a lugar algum. Que possamos, cada dia mais, enxergar a gravidade desses discursos e agir em prol daqueles que mais precisam.


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